TUDO
SOBRE A ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL
Regularmente você deve ouvir ou ler sobre a Estação Espacial
Internacional e sabe que ela é uma base que fica no espaço e que abriga vários
astronautas. Mas e aí? Para o que serve, o que os astronautas fazem lá, quem a
construiu e qual a sua real dimensão? E menos ainda, que o Brasil fazia parte
do grupo inicial de “sócios” da Estação, mas que foi expulso por não cumprir as
metas estipuladas para participar do projeto: a construção de 43 componentes
relativamente simples.
Afinal de
contas, o que é a Estação Espacial Internacional? Bom, ela é um laboratório
espacial de microgravidade que foi criado com o intuito de ser uma base
habitada pemanentemente por seres humanos. Muitos experimentos e pesquisas
científicas não podem ser feitos aqui na Terra, pois a própria aceleração da
gravidade atrapalha os resultados. Além disso, estuda-se os efeitos que a
permanência prolongada no espaço causa em seres humanos, matéria viva e
equipamentos.
Na
última sexta-feira (14), inclusive, o canal National Geographic exibiu um
especial de 2h chamado “Ao Vivo do Espaço”, que mostrou a rotina dos
astronautas, o funcionamento da Estação e como a ciência no espaço beneficia as
pessoas na Terra. Os astronautas, os controladores de voo e pesquisadores em
segmentos originais da ISS e do Controle de Missão da NASA participaram dessas
duas horas do programa ao vivo.
1. Essa não foi a
primeira estação espacial
A idéia de estação espacial começou com os
soviéticos ainda na década de 1960. À época, a intenção era construir uma
plataforma que fosse permanentemente habitada para fins de espionagem militar.
Dessa maneira, o país lançou a série de naves Almaz, disfarçadas de projetos
civis. Ela contava, inclusive, com armamento para defesa!
Em seguida veio a Salyut, também russa, e depois a famosa Mir,
que foi a estação mais bem sucedida da Rússia. O projeto se saiu tão bem que,
após o fim da Guerra Fria, contou com a cooperação norte-americana.
A
parceria rendeu bons frutos e, em meados da década de 1990, os dois países
começaram a planejar a estação conjunta. A medida que os planos eram
delineados, vários países foram convidados a participar, formando um consórcio
que incluia até o Brasil.
2. O Brasil fazia parte do consórcio inicial
O
Brasil assinou um acordo exclusivo e direto com a NASA para
produzir hardware específico e, em troca, ter acesso a equipamentos
norte-americanos e permissão para enviar um astronauta brasileiro à estação. A
viagem ocorreu em 2006 e Marcos César Pontes ficou conhecido como o primeiro
astronauta lusófono a ir ao espaço. Por uma semana ele permaneceu em órbita e
foi transportado por um foguete russo.
Contudo, o Brasil está atualmente fora do projeto de construção
da Estação Espacial Internacional devido à incapacidade de fornecer os
componentes atribuídos ao país. No fim das contas, foi dito que parte da culpa
foi de uma empresa subcontratada pela Embraer, que havia se responsabilizado
pela fabricação deles.
Após quase dez
anos de participação, o país deixou de ser considerado na lista de fabricantes
da base orbital. Segundo o especialista John Logsdon, diretor do Instituto de
Políticas Espaciais da Universidade George Washington e membro do Comitê de
Conselho da Nasa, "já é tarde demais para o Brasil fazer qualquer coisa, a
não ser tornar um usuário da estação".
3.
A ISS é modular
A Estação é constituída por
diversos módulos, sendo que a maioria foi construída pelos EUA e Rússia. A
partir dos módulos básicos, os demais foram sendo encaixados, o que facilitou a
montagem da estrutura. Desde 1998 o "consórcio" fabrica e envia peças
e módulos para o espaço.
Com
isso a Estação pode ser modificada e atualizada de acordo com a necessidade. Se
por um acaso algum módulo seja danificado sem a possibilidade de reparos, a
substituição dele também será simples.
4. A ISS completa uma órbita ao redor da Terra a cada 1h30 e sua
gravidade real não é zero
Isso significa
que a estrutura viaja a pouco mais de 8 km por segundo. A órbita que ela
percorre ao redor da Terra é chamada de Órbita Terrestre Baixa (Low Earth Orbit)
e seu raio é de aproximadamente 360 km. A estação perde, em média, 100 metros
de altitude todos os dias - isso quer dizer que por volta de 2030 ela sairá de
operação e colidirá com a Terra, como ocorreu com a Mir.
É comum
associar à estação um estado de "gravidade zero", mas isso não está
correto. A gravidade aproximada do local, levando-se em conta um raio de
6.378,1 km terrestre, é de 8,3 m/s² a 8,4 m/s², pela igualdade da Lei da
Gravitação Universal (LGU) e o peso, o que é considerável. Na superfície
terrestre a aceleração da gravidade é de aproximadamente 9.8 m/s².
g = G x M / R²
G - constante
gravitacional universal, M - massa da Terra , R - raio da órbita da Estação
O efeito
"gravidade zero" ocorre porque a estação está "caindo
eternamente" por causa da curva ocasionada pela força centrípeta a que
está sujeita.
5.
Ela é bem grande
Talvez seja difícil ter
uma noção do tamanho da estrutura, mas ela tem o tamanho aproximado de um campo
de futebol (contando todos os painéis, claro). Além disso, sua massa é de pouco
mais de 400 toneladas. Toda essa matéria foi levada da Terra, então é fácil
imaginar que o custo total do projeto não é nada pequeno.
6. Há 13 anos ela é habitada permanentemente
O módulo
inicial da Estação, chamado Zarya, foi lançado em 1998 utilizando um foguete
Proton, porém sem astronautas - foi uma missão totalmente robotizada. Duas
semanas depois, o primeiro componente americano foi lançado, a bordo de um
ônibus espacial, e foi acoplado ao Zarya pelos astronautas.
Depois disso,
permaneceu desabitada por dois anos, quando o segundo módulo russo, chamado
Zvezda, se juntou ao conjunto, carregando os equipamentos e estruturas que
possibilitariam a vida no espaço. Somente a partir desse momento foi que a
primeira tripulação residente chegou, em novembro de 2000.
Desde então a
Estação permaneceu habitada permanentemente, com uma equipe mínima de 3
astronautas. Quando há a troca de tripulação, a estrutura abriga pelo menos 6
pessoas (os três que saem e os três que entram), e, não muito raro, astronautas
visitantes de outros países - o brasileiro tenente-coronel Marcos Pontes - bem
como turistas espaciais.
7.
Sua operação é feita por 5 diferentes agências espaciais
Além da NASA
norte-americana, participam da operação da Estação a Roskosmos (Rússia), JAXA
(Japão), Canadian Space Agency (Canadá) e a European Space Agency (União
Europeia). Além dessas agências, ao todo 22 países participam do programa. São
eles:
Áustria,
Bélgica, Canadá, República Tcheca, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha,
Grécia, Irlanda, Itália, Japão, Luxemburgo, Holanda, Noruega, Portugal, Rússia,
Espanha, Suécia, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos.
8.
A China também possui uma estação espacial própria
Como
você deve ter percebido, a China não participa do programa da Estação Espacial
Internacional. Ao invés disso, ela mantém seu próprio programa espacial desde
1992. O seu auge, no entanto, só ocorreu em 2011, quando o país lançou a
estação. O Tangong-1 é o primeiro módulo, com capacidade para acomodar 3
astronautas durante um curto período de tempo. A estação será composta por 3
módulos no total, a serem todos unidos até 2020. No filme Gravidade, Sandra
Bullock utiliza a nave de escape da estação chinesa para retornar à Terra.
9. Ela pode ser vista a olho nu, da Terra
Ela é tão
grande que pode ser vista da Terra a olho nu, em horários e locais bem
específicos. Infelizmente ela não passa pelo Brasil, logo não é possível vê-la
daqui.
Mas caso você esteja nos EUA, Canadá, México,
Inglaterra, Portugal, França, Alemanha, Oriente Médio, Austrália e mais alguns
outros países da África, poderá saber a localização da ISS, além de onde e
quando ela passará, através de algum desses sites:
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N2YO.com





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