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SEGUNDO SISTEMA SOLAR COM OITO PLANETAS 

Agência espacial encontrou um oitavo planeta no sistema Kepler-90, o que o torna comparável ao Sistema Solar que engloba a Terra



Wendy Stenzel / Nasa/Divulgação

Nosso sistema solar agora está amarrado para a maioria dos planetas em torno de uma única estrela, com a recente descoberta de um oitavo planeta circulando Kepler-90, uma estrela semelhante ao Sol a 2.545 anos-luz da Terra. O planeta foi descoberto em dados do Telescópio Espacial Kepler da NASA.
Créditos: NASA

Nasa, agência espacial norte-americana, descobriu um outro sistema planetário com oito planetas orbitando uma estrela — à semelhança do Sistema Solar de que a Terra faz parte. Igualando o número de planetas ao redor do nosso Sol, esse é o maior sistema solar  já encontrado por uma agência espacial. A descoberta de um oitavo planeta, chamado Kepler-90i, foi feita a partir de dados obtidos pelo telescópio Kepler, lançado em 2009, e analisados por um sistema de inteligência artificial do Google.

Anunciada como uma das maiores proezas já realizadas pela Nasa, a descoberta que mostra a existência de um sistema solar parecido com o nosso, localizado a 2.545 anos-luz de distância, foi possível graças ao emprego pioneiro da inteligência artificial no espaço: os dados do Kepler já estavam disponíveis, mas faltava entendê-los o suficiente para mostrar a existência do oitavo planeta. E, conforme a agência, esse pode não ser o último deles nesse sistema.
— Tal como esperávamos, há descobertas entusiasmantes escondidas nos  nossos dados do Kepler, à espera da ferramenta ou tecnologia certas para  as desvendar. Estas descobertas mostram que os nossos dados serão como um baú de tesouros disponível para investigadores inovadores  durante os próximos anos — afirmou o diretor da  Divisão de Astrofísica da Nasa, Paul Hertz. 

A descoberta sugere que possa haver sistemas solares inteiros escondidos em meio a dados astronômicos já coletados em missões realizadas pelo Kepler e por outros telescópios, mas que não foi possível ainda notar porque demandam a análise de muitos sinais, alguns dificilmente distinguíveis sem a ajuda de máquinas.
— Encontramos muitos falsos positivos, mas também alguns planetas em potencial. É como  peneirar pedras para achar joias — destacou o pesquisador  Andrew Vanderburg,  astrônomo da Universidade do Texas.
Aparentemente, porém, o recém-descoberto Kepler-90i não é dos mais promissores candidatos a abrigar vida. Cerca de 30% maior que a Terra, o planeta está tão próximo de sua estrela que, a Nasa estima, a temperatura média na superfície ultrapassa os 426 ºC — parecido com a temperatura que, acredita-se, é registrada em Mercúrio, primeiro planeta do nosso Sistema Solar. Todos os planetas que orbitam a Kepler-90, o Sol desse sistema, estão mais próximos da estrela e, portanto, se calcula que sejam mais quentes do que aqui.
— O sistema Kepler-90 é como uma versão em miniatura do nosso Sistema Solar. Você tem planetas pequenos no interior e planetas maiores no exterior, mas todos estão muito mais próximos — explica Vanderburg,  astrônomo que junto com Christopher Shallue, engenheiro de software da divisão de inteligência artificial do Google, "ensinou" um computador a identificar exoplanetas, como são chamados os planetas que orbitam uma estrela diferente do Sol.
Os pesquisadores envolvidos na descoberta conseguiram "treinar" um computador para aprender a identificar exoplanetas através da pequenas, quase insignificantes (ao olho humano)mudanças de luminosidade emitida por uma estrela quando um planeta passa por ela. Além do oitavo planeta no sistema Kepler-90, a inteligência artificial também tornou possível a descoberta de um sexto planeta no sistema solar Kepler-80.
Pesquisadora de astrofísica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a professora Thaisa Storchi Bergmann explica que a descoberta é importante porque mostra, pela primeira vez, um sistema solar  com o mesmo número de planetas do nosso e que, além disso, também chama atenção por manter uma configuração semelhante, com planetas terrestres mais próximos da estrela e os gasosos mais afastados.
— Apesar de haver muitas diferenças, há que se destacar tantas semelhanças com o nosso Sistema Solar. Essa é a grande notícia. E talvez não demore muito para descobrirmos outra Terra por aí — torce Thaisa.


Créditos: www.nasa.gov 

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